segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Coluna Asas #36 - Literatura Peruana - (Felipe Rodrigues Araujo)

 


Durante o período pré-colonial da literatura peruana percebem-se três bases em sua formação: as letras amazônicas, aimarás e quíchuas. Entre as três, a de maior relevância e desenvolvimento foi a quíchua, pois era a principal língua do país e por ela foram registradas as histórias e tradições dos habitantes.

Naquela época eram produzidos poemas de caráter religioso com temáticas que envolviam os deuses indígenas e o estranhamento entre os nativos e os espanhóis.  Já no período colonial da literatura do Peru são criadas obras com temáticas a respeito da conquista do território. O idioma espanhol ainda não tinha sido completamente difundido e utilizado no país, por isso, esta é considerada a segunda fase das letras quíchuas. Uma das principais características das obras daquela época era o nacionalismo.

Entre seus expoentes pode ser citado Gómez Suárez de Figueroa, um cronista e escritor peruano de ascendência espanhola e inca, mais conhecido como “príncipe dos escritores do Novo Mundo”.  Entre as obras lançadas por Gómez, consideradas marcas da literatura peruana, estão “Comentarios reales de los incas”, de 1609, onde são encontrados materiais diversos como crônicas, lendas, tradições e relações dos indígenas. Outro de seus livros importantes é “Historia General del Perú”, considerado o segundo tomo de “Comentarios” e que foi publicado após a morte do escritor.

A terceira fase da literatura peruana é o período pós-colonial, em que houve predomínio do Romantismo, mas foi rica em obras do Modernismo, Realismo e Contemporâneas. Manuel Ricardo Palma Soriano, conhecido pelo apelido de "El Bibliotecario Mendigo", é o autor mais conhecido da fase romântica. Entre as características de sua obra estão: o passado como tradição histórica, análise psicológica dos personagens, ausência do purismo e a recriação de lendas e personagens.

"Tradiciones peruanas” é a obra principal de "El Bibliotecario Mendigo" e teve sua publicação no ano de 1860. O livro apresenta contos criados com base na sociedade e no cotidiano daquela época. Palma faz uso de recursos como a sátira em seus textos. Outras de suas obras são “Anales de la Inquisición de Lima”, “Armonía”, “Neologismos y americanismos” e “Cachivaches”.  

Porém, dois escritores que expandiram a fronteira da literatura peruana são Mario Vargas Llosa e Carlos Castañeda. O primeiro é considerado um dos maiores autores em língua espanhola e já ganhou um Prêmio Nobel de Literatura em 2010. Foi um dos responsáveis pela explosão da literatura latino-americana entre as décadas de 1960 e 1970.

E quem não se lembra de Castañeda com o campeão de vendas "A Erva do Diabo"? As revelações do "brujo" Dom Juan já escapuliram das linhas para habitar o imaginário de qualquer pessoa que frequenta livrarias ou se interessa um pouco por literatura.

Na verdade, Castañeda era antropólogo e grande estudioso. Tanto é que seu livro mais conhecido, A Erva do Diabo, é resultado de sua dissertação de mestrado chamada "The Teachings of Don Juan - a Yaqui way of knowledge", de 1968.

Entre outros escritores importantes para a literatura peruana estão Alfredo Bryce Echenique, Julio Ramón Ribeyro, José Maria Arguedas, Ciro Alegría, César Vallejo, José Carlos Mariátegui e Manuel Scorza.

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