sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Coluna Asas #23 - Escrever por escrever - (Catarina Cunha)


Eu poderia deixar esse título como frase de efeito no final. Colocando assim, de cara, torna o texto óbvio. No entanto levei em consideração os tempos cascudos em que vivemos: a alergia endêmica a “textão” acima de 140 caracteres. Tentarei ser profunda sem chatice com 140 palavras. De positivo a objetividade em detrimento dos prolixos textos que enceram a mente do leitor até que o brilho ofusque a ideia principal. De negativo a profundidade de um pires. Escreve-se de tudo sem a menor preocupação com o conteúdo. 

 O princípio é o mesmo de “Bebo-o porque é líquido, se fosse sólido comê-lo-ia”, frase atribuída ao controverso Jânio Quadros.  Se alguém me perguntar porque escrevo crônicas eu dou essa ensaboada: “Escrevo-as porque são letras, se fossem palavras falá-las-ia”; logo não disse absolutamente nada. 

140 palavras. Foi muito ou pouco?

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